Making of – Cinema abandonado
Há dois meses realizamos um ensaio fotográfico num cinema abandonado. Na ocasião contamos com o auxilio de Clayton Sousa como guia para a locação e na produção de algumas cenas do making of.
Confira o vídeo:
Em breve publicaremos as fotos do ensaio!
Uma outra estação
Em 2010 nossa amiga Luiza Prado nos disse a respeito de uma ruína em que ela havia feito algumas fotos. Vimos algumas imagens do local e achamos muito interessante.
No mês de outubro do mesmo ano partimos (Fabio, eu, Luiza e Guilherme Todorov) rumo a Guaratinguetá e ficamos alguns dias hospedados na casa da Luiza. Num desses dias pegamos um ônibus e fomos até uma cidade próxima, onde se encontrava a locação.
Tratava-se de uma estação de trem. Assim como em todos os lugares abandonados que já fotografamos, chegando ao local ficamos maravilhados com a riqueza arquitetônica e, ao mesmo tempo, impressionados com o descaso de um lugar em que já passaram tantas pessoas e com certeza guarda tantas histórias.
Imediatamente começamos a explorar o ambiente. Estava tudo muito sujo, alguns lugares haviam pegado fogo e com a deterioração do espaço era preciso tomar cuidado nos locais em que entrávamos.
Muito lixo, vestígios de que algumas pessoas usam o lugar para variadas atividades (como o uso de drogas, por exemplo). Uma escada que cedeu impossibilitava o acesso ao andar superior da estação, pombos voando em meio a vigas caídas e janelas sem vidros.
Quem acompanha nosso trabalho compreende que este cenário é ideal para mais um ensaio fotográfico.
Enquanto realizávamos a exploração, um morador próximo da estação veio conversar conosco. Informou que era preciso tomar cuidado com algumas pessoas mal intencionadas que poderiam aparecer por ali.
Fabio começou fazendo algumas fotos do Guilherme, usando parte da estação como cenário – janelas quebradas e escombros.
Em seguida iniciamos a segunda parte do trabalho, desta vez eu fui a modelo. Começamos no interior da locação e depois na parte externa, onde era possível mostrar a lateral da estação de trem abandonada.
Quando finalizávamos com algumas imagens feitas sobre os trilhos do trem, começamos a sentir a presença de algumas pessoas ao redor. Parecia que nossa presença as incomodava, por isso decidimos que o ideal seria finalizar o ensaio.
Agradecemos em especial as pessoas que nos possibilitou a concretização deste trabalho: Luiza Prado, sua família (pela hospitalidade e hospedagem) e ao Guilherme Todorov.












Para ver o resultado final do ensaio clique aqui.
Hotel abandonado
Da última vez que estivemos em Brodowski (post: A estação) foi o primeiro ensaio que o Fabio usou a 5D, pois até então usávamos uma Canon XT. Em seguida comprou uma nova lente: 16-35mm F/2.8L. Queríamos testar o novo equipamento em grande estilo, por isso fomos procurar a locação perfeita para as novas fotos. Encontramos um antigo hotel abandonado no centro de São Paulo e tínhamos certeza que ali seria o local ideal.
Conhecemos todos os andares, a luz estava ótima e então era hora de deixar a criatividade tomar forma. Começamos no corredor de um andar, depois fomos para uma sala com uma cadeira toda empoeirada e janelas quebradas, era preciso tomar muito cuidado, havia pedaços de vidro por todos os lados. Por fim, terminamos esta parte do ensaio numa escada no último andar do hotel, onde parte do telhado já tinha desabado, havia muitas penas de pombos, teias de aranha e poeira.
Como eu havia levado mais de um figurino decidimos fazer mais uma sessão de fotos, mas esta é outra parte da história e contarei no próximo post! =)













Para ver o resultado final do ensaio clique aqui.
A beleza do caos
Certo dia estava em casa quando o Fabio me disse que uma moça, conhecida por ele dos velhos tempos de Flickr, queria fazer uma entrevista para um programa de TV a respeito do nosso trabalho. Achei fantástico e fiquei muito animada, principalmente depois que ele me falou que acompanhava o trabalho dela como vídeoreporter e achava muito bom.
Não demorou muito marcamos um dia para fazer a gravação e a repórter nos disse que poderíamos sugerir a locação e algumas idéias. Pensamos que seria importante fazer num local que tivesse nosso estilo e acima de tudo segurança, afinal não queríamos colocar ninguém em risco.
Neste momento, preciso interromper o que estava narrando para contar ao leitor deste blog um pouco da história da locação que escolhemos para a entrevista: Casarão do Belvedere.
O casarão foi construído em 1927 para o imigrante francês Ernest Sohn e sua família. Após algumas gerações o local iria ser vendido e por isso janelas, portas, a escada para o andar superior, móveis e objetos foram vendidos. Porém, em 2002 o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) tombou o imóvel, a partir de então o atual herdeiro e proprietário, o ator Paulo Goya, luta incansavelmente para que o espaço tenha reconhecimento histórico, social e cultural.
Poucas janelas e portas são originais, outra escada foi colocada no casarão e parte do espaço foi adaptada para apresentações de peças teatrais, incluindo cortinas, estruturas metálicas para suporte de luz e um camarim na parte externa da casa. Paulo Goya disponibiliza o casarão de sua família para eventos, palestras, debates, espetáculos, bazares e saraus.
Porém, em diversas conversas com Paulo Goya pudemos perceber as inúmeras dificuldades encontradas por ele para realizar este projeto cultural, descaso de muitos… Inclusive do Governo, pois se limitam a conceber o tombamento do imóvel, porém, não oferece absolutamente nenhum apoio para manter e restaurar o patrimônio, muito menos qualquer incentivo para os projetos culturais elaborados.
Cabe dizer neste espaço que adoramos conhecer Paulo Goya, um homem extremamente inteligente e crítico (acho que me identifiquei com esse lado crítico… rs), cheio de boas histórias e com certeza temos muito o que aprender com ele. O casarão é um lugar tão fascinante, fácil de sentir-se em casa e ótimo para bater um bom papo sobre qualquer tema.
Bem, creio que seja hora de retomar minha narração a respeito da entrevista. No dia marcado Fabio e eu chegamos antes para poder organizar o espaço e, logo em seguida, chegou ao Casarão duas figuras: Carol Thomé e Duca Mendes.
Foi uma experiência incrível, conversamos bastante sobre muitas coisas e a Carol se demonstrou muito feliz por estar fazendo aquela matéria, sempre deixando claro o quanto respeita o nosso trabalho e o que queremos expressar. Calmos, divertidos, criativos e extremamente profissionais, é assim que posso defini-los.
Acho que já disse isso aqui, mas sendo repetitiva, não acredito em coincidências. Creio que a Carol e o Duca são pessoas muito especiais que entraram em nossas vidas de uma forma bem inesperada para nós, mas que com certeza contribuíram muito além da excelente matéria que fizeram. Tivemos a oportunidade de conhecê-los um pouco mais posteriormente e posso dizer que são pessoas muito especiais para nós e com certeza ainda temos muito que conversar e experiências para dividir.
Enfim, foi um grande prazer fazer esta matéria e é um grande prazer dividir este vídeo com vocês que acompanham nosso trabalho e tanto nos incentiva. Obrigada a todos que tem contribuído conosco ao longo destes anos.











Fotos por Carol Thomé

Foto por Fabio Stachi
Assista ao vídeo da matéria que foi ao ar no dia 01 de março de 2011 no programa da Band “A noite é uma criança” com a vídeorrepórter Carol Thomé.
A Vila
A Vila Maria Zélia foi construída no início do século XX e está localizada no bairro Belenzinho (Zona Leste), em São Paulo. O local foi idealizado pelo industrial Jorge Street, e tinha como objetivo abrigar os operários de uma fabrica de tecidos.
Descobrimos a Vila por meio de alguns fotógrafos que fizeram fotos no local e achamos que seria um ótimo cenário para fazer mais um de nossos ensaios. Fomos até a Vila e falamos com o Sr. Dedé, uma figura muito especial e cheia de boas histórias para contar. Aliás, gostaríamos muito de agradecê-lo por sua simpatia e por ter nos recebido tão bem.
Bem, tínhamos muitas idéias a respeito do ensaio, o que não contávamos era que o sol estivesse presente. Tal fato impossibilitou que conseguíssemos tudo o que havíamos planejado, mas nem por isso deixamos de realizar nosso ensaio e conseguimos alguns bons resultados.
No final do ensaio, mais uma vez, Fabio e eu trocamos de papéis e eu fiz algumas fotos dele. Foi uma boa experiência para ambos, pois podemos crescer ainda mais quando entendemos como é estar em lados opostos e, ainda assim, trabalhando juntos.
Curiosidade: Uma das fotos deste ensaio pode ser vista na conceituada revista de fotografia Digital Photographer Brasil de agosto (3ª edição).











Para ver o resultado final deste ensaio clique aqui e aqui.
Reformatório
Em Agosto de 2009 ficamos sabendo sobre um local na região do Belém (Zona Leste) que parecia muito interessante para realizar alguns ensaios. Tratava-se das ruínas do antigo Reformatório de Meninas, popularmente conhecida como FEBEM. Segundo Douglas Nascimento, autor do blog São Paulo Antiga, “este prédio é uma construção do início do século XX e foi desativado juntamente com a unidade”.
Fabio e eu fomos até o local para conhecer melhor e ao chegarmos deparamo-nos com uma favela ao lado de um grande parque (Parque do Belém) e algumas crianças que ali brincavam. Entramos na unidade para investigar se havia alguém. Não encontramos ninguém, porém, havia muitos vestígios de que pessoas moravam ali. O cheiro de urina e fezes era forte e se espalhava, não havia nenhuma porta ou janela, apenas restos de roupas, garrafas, sujeira de todo o tipo e o mato que já começava a crescer entre as paredes do local.
Em uma das salas havia uma janela que dava de frente para o parque e eu tinha um vestido vermelho em minha bolsa, decidimos fazer umas fotos apenas como experiência e retornaríamos para um ensaio em outro dia.
A nossa surpresa foi quando percebemos que em menos de uma hora conseguimos um material bem interessante e sempre que revemos as fotos conseguimos nos lembrar de forma muito especial de cada momento.
Em tempo: Fabio retornou ao local alguns meses depois com outra modelo e mais um fotógrafo para fazer um ensaio, porém, não sentiram segurança. O local estava repleto de usuários de drogas e alguns moradores da favela ao lado que deixaram claro o incomodo com a presença deles.













Para ver o resultado final deste ensaio clique aqui.













