Natália é uma pessoa que vem acompanhando nosso trabalho há algum tempo. Sempre com comentários construtivos e atenciosos. Gostaria muito de agradecê-la pelo material que nos enviou, são auto-retratos carregados de sentimentos e um texto que nos deixou emocionados.
“Desde que entrei em contato com o trabalho do Fabio e da Patricia, acompanho a produção deles com admiração e curiosidade. Uma das primeiras coisas que me chamou atenção foi a íntima relação que as composições têm com o corpo: o corpo como principal meio de expressão da arte que eles produzem. Entretanto, diferente de outras propostas do semi-nu ou nu artístico, Fabio e Patricia extraem do corpo uma eroticidade aflita, conflituosa, ambivalente, secundária, o foco não está na sensualidade da carne, pelo contrário, ela é quase um acidente no meio das outras linguagens que o corpo exposto manifesta. E Patricia, como modelo, faz um trabalho belíssimo ao conseguir encarnar e transmitir com visceralidade expressões tão intensas.
Como eu também me aventuro pelo mundo da fotografia, na frente e atrás da câmera, sei bem que esse tipo de imagem, com essa qualidade artística, não nasce com facilidade, por isso, consigo enxergar no trabalho deles uma afinadíssima sintonia, uma grande cumplicidade e companheirismo. Acredito que só com intimidade e entrega, de ambas as partes, é que imagens de tanto impacto podem ser produzidas. Há uma linguagem da alma sendo traduzida pelo corpo no trabalho deles – e é preciso talento e sensibilidade para captar o momento. Eles têm.
Através do trabalho do Fabio e da Patricia vi que é possível fazer trabalho autoral. A temática do corpo sempre esteve presente nos meus auto-retratos, no início, funcionava como um gatilho involuntário de expressão, mas, com o tempo, através do amadurecimento pessoal e artístico, senti que essa era a via com a qual meu trabalho autoral realmente dialogava: o corpo. O corpo como ato. Como meio. O corpo inconfortável. Como ponte para uma dimensão transcendente mas englobando seus estados. O corpo-entidade.
Bem, ainda estou em um desafiador processo de descoberta sobre meu próprio trabalho, mas vejo uma grande ligação entre as temáticas que escolho e as que o Fabio e a Patricia privilegiam, e vê-los me inspira sempre a acreditar e a me entregar a esse modo intimista e pessoal de trabalhar com fotografia.
Natália Nunes”



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