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O presente trabalho tem como objetivo ilustrar o desenvolvimento do processo criativo que envolve os projetos fotográficos realizados entre Patricia Costa e Fabio Stachi. A ideia surgiu a partir da tentativa de ampliar a visão do espectador, enfatizando que não existem regras e/ou limites no universo da fotografia.

Cinema

Fazer ensaios em lugares abandonados é sempre uma nova aventura, pois temos a oportunidade de conhecer lugares bem curiosos. Neste ensaio não poderia ser diferente…
Fabio recebeu o convite de Clayton Sousa para fazer um ensaio num lugar bem especial, tratava-se de mais um daqueles cenários caóticos… um cinema abandonado. Ficamos muito animados com a possibilidade de fotografar neste lugar, até porque cinema ainda não fazia parte da nossa experiência em locações deterioradas.
Segundo informações, o cinema foi construído na década de 30, sendo o espaço utilizado para exibição de filmes e ações sociais.
Chegando ao local, escalamos um muro que dava acesso ao segundo andar do cinema, que mais se parece com um galpão antigo. Exceto alguns vestígios como a sala de projeção, banheiros e o que parecia ser o espaço para exibição de filmes, mas nada de cadeiras ou qualquer outra informação da época.
O cinema está localizado próximo a casas residenciais e por isso era preciso estar atento com possíveis pessoas que pudesse aparecer. Iniciamos o trabalho percorrendo todo o local e imaginando o que poderíamos criar naquele espaço.
Paredes pichadas, vidros quebrados, muito lixo, pomba morta e pra finalizar sinais de que o local já foi incendiado. As marcas de fogo estão por toda parte, desde o chão de madeira até a fuligem nas paredes.
Para quem conhece nosso trabalho, sabe que esse cenário é perfeito. Conforme prometido no post anterior, a seguir confiram algumas fotos do ensaio.

Agradecemos carinhosamente nosso amigo Clayton Sousa pela essencial colaboração neste ensaio.

Making of – Cinema abandonado

Há dois meses realizamos um ensaio fotográfico num cinema abandonado. Na ocasião contamos com o auxilio de Clayton Sousa como guia para a locação e na produção de algumas cenas do making of.

Confira o vídeo:

Em breve publicaremos as fotos do ensaio!

Uma outra estação

Em 2010 nossa amiga Luiza Prado nos disse a respeito de uma ruína em que ela havia feito algumas fotos. Vimos algumas imagens do local e achamos muito interessante.
No mês de outubro do mesmo ano partimos (Fabio, eu, Luiza e Guilherme Todorov) rumo a Guaratinguetá e ficamos alguns dias hospedados na casa da Luiza. Num desses dias pegamos um ônibus e fomos até uma cidade próxima, onde se encontrava a locação.
Tratava-se de uma estação de trem. Assim como em todos os lugares abandonados que já fotografamos, chegando ao local ficamos maravilhados com a riqueza arquitetônica e, ao mesmo tempo, impressionados com o descaso de um lugar em que já passaram tantas pessoas e com certeza guarda tantas histórias.
Imediatamente começamos a explorar o ambiente. Estava tudo muito sujo, alguns lugares haviam pegado fogo e com a deterioração do espaço era preciso tomar cuidado nos locais em que entrávamos.
Muito lixo, vestígios de que algumas pessoas usam o lugar para variadas atividades (como o uso de drogas, por exemplo). Uma escada que cedeu impossibilitava o acesso ao andar superior da estação, pombos voando em meio a vigas caídas e janelas sem vidros.
Quem acompanha nosso trabalho compreende que este cenário é ideal para mais um ensaio fotográfico.
Enquanto realizávamos a exploração, um morador próximo da estação veio conversar conosco. Informou que era preciso tomar cuidado com algumas pessoas mal intencionadas que poderiam aparecer por ali.
Fabio começou fazendo algumas fotos do Guilherme, usando parte da estação como cenário – janelas quebradas e escombros.
Em seguida iniciamos a segunda parte do trabalho, desta vez eu fui a modelo. Começamos no interior da locação e depois na parte externa, onde era possível mostrar a lateral da estação de trem abandonada.
Quando finalizávamos com algumas imagens feitas sobre os trilhos do trem, começamos a sentir a presença de algumas pessoas ao redor. Parecia que nossa presença as incomodava, por isso decidimos que o ideal seria finalizar o ensaio.
Agradecemos em especial as pessoas que nos possibilitou a concretização deste trabalho: Luiza Prado, sua família (pela hospitalidade e hospedagem) e ao Guilherme Todorov.

Para ver o resultado final do ensaio clique aqui.

Nouveau

Quase quatro meses sem nenhuma atualização…
Penso que a qualidade do nosso trabalho é mais válida e respeitável com as pessoas que acompanham este espaço do que simples quantidade de material que venha a publicar. Não gosto de colocar qualquer coisa só pra dizer: “Olha como estou sempre atualizando meu blog”.
Bem, é claro que agora trabalhando muito na área da psicologia, a fotografia está tomando outro espaço em minha vida.
Porém, não deixa de ter sua devida importância, afinal utilizo a fotografia para me aproximar de mim.
Portanto, finalmente a seguir contarei um pouco de como ocorreu mais um dos nossos trabalhos fotográficos.

Sempre ouvimos algumas pessoas contarem a respeito dos tempos de glória daqueles hotéis antigos na região central de São Paulo. A curiosidade aumentava a cada história que nos deparávamos, fosse por pessoas mais velhas ou textos na internet.
Em outubro de 2010 começamos a luta em busca de um desses locais tão fascinantes, repletos de histórias e energias. Não demorou muito para descobrirmos um lugar fantástico. Um hotel no centro de São Paulo, usado por prostitutas e usuários das mais variadas drogas.
Engraçado, porque os “estranhos” e “diferentes” naquele local era o Fabio e eu, afinal, não queríamos alugar o quarto objetivando sexo e muito menos usar drogas.
Pagamos uma quantia na recepção e lá fomos nós em direção a um dos quartos para mais um ensaio fotográfico.
Depois de mais ou menos uma hora alguém bate na porta. Era o “dono” do hotel bravo porque nossas fotos chamaram atenção de algumas pessoas que passavam pela rua. Logo começaram as ameaças e fomos expulsos do local. Porém, penso que novamente, apesar do pouco tempo que tivemos, conseguimos fazer o trabalho que desejávamos.
Bem, depois de tanta emoção e adrenalina, cabe aqui compartilhar o processo de criação e o resultado com vocês.

Corpestranho – Por Natália Nunes

Natália é uma pessoa que vem acompanhando nosso trabalho há algum tempo. Sempre com comentários construtivos e atenciosos. Gostaria muito de agradecê-la pelo material que nos enviou, são auto-retratos carregados de sentimentos e um texto que nos deixou emocionados.

“Desde que entrei em contato com o trabalho do Fabio e da Patricia, acompanho a produção deles com admiração e curiosidade. Uma das primeiras coisas que me chamou atenção foi a íntima relação que as composições têm com o corpo: o corpo como principal meio de expressão da arte que eles produzem. Entretanto, diferente de outras propostas do semi-nu ou nu artístico, Fabio e Patricia extraem do corpo uma eroticidade aflita, conflituosa, ambivalente, secundária, o foco não está na sensualidade da carne, pelo contrário, ela é quase um acidente no meio das outras linguagens que o corpo exposto manifesta. E Patricia, como modelo, faz um trabalho belíssimo ao conseguir encarnar e transmitir com visceralidade expressões tão intensas.
Como eu também me aventuro pelo mundo da fotografia, na frente e atrás da câmera, sei bem que esse tipo de imagem, com essa qualidade artística, não nasce com facilidade, por isso, consigo enxergar no trabalho deles uma afinadíssima sintonia, uma grande cumplicidade e companheirismo. Acredito que só com intimidade e entrega, de ambas as partes, é que imagens de tanto impacto podem ser produzidas. Há uma linguagem da alma sendo traduzida pelo corpo no trabalho deles – e é preciso talento e sensibilidade para captar o momento. Eles têm.
Através do trabalho do Fabio e da Patricia vi que é possível fazer trabalho autoral. A temática do corpo sempre esteve presente nos meus auto-retratos, no início, funcionava como um gatilho involuntário de expressão, mas, com o tempo, através do amadurecimento pessoal e artístico, senti que essa era a via com a qual meu trabalho autoral realmente dialogava: o corpo. O corpo como ato. Como meio. O corpo inconfortável. Como ponte para uma dimensão transcendente mas englobando seus estados. O corpo-entidade.
Bem, ainda estou em um desafiador processo de descoberta sobre meu próprio trabalho, mas vejo uma grande ligação entre as temáticas que escolho e as que o Fabio e a Patricia privilegiam, e vê-los me inspira sempre a acreditar e a me entregar a esse modo intimista e pessoal de trabalhar com fotografia.

Natália Nunes”

Conheça mais o trabalho fotográfico de Natália Nunes!

Participe do blog enviando seu trabalho também para: paticc@gmail.com ou fstachi@gmail.com

Hotel abandonado II

Depois de tanto tempo sem nenhuma publicação, é hora de atualizar o blog com a segunda parte do ensaio que fizemos no hotel abandonado.
Assim que chegamos ao hotel fomos ao primeiro passo antes de começar todo e qualquer ensaio: exploração do local. Isto é muito importante, pois verificamos a estrutura do prédio, se há mais pessoas no local e qual o melhor ambiente para fazer as fotos que imaginamos.
Enquanto explorávamos todo os andares, vimos um quarto que pareceu bem interessante, com sacada, carpete vermelho e lindas cores numa parede já descascada pelo tempo e abandono. Decidimos finalizar mais um dia de trabalho naquele belo cenário… Tudo muito simples, apenas uma leve camisola e todo o caos que nos cercava naquele momento.
Obs. Antes de terminar este post, gostaria de agradecer o carinho de todas as pessoas que nos enviaram mensagens pedindo por atualizações.

Para ver o resultado final deste ensaio clique aqui

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